Meditação

Segue o Teu Destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

(Ricardo Reis, in “Odes”)

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A saga para chegar a Machu Picchu

Voltei! Pois é, como acontece em todas as minhas viagens, chega uma hora que o cansaço fala mais alto e eu paro de registrar os ocorridos diariamente. Pô, eu levo umas 2 horas pra escrever, baixar foto, selecionar, revisar, redimensionar, postar… faço tudo isso com prazer, mas como numa viagem pelos Andes cada minuto de descanso é precioso, deixei pra continuar essa tarefa aqui no Brasil! E cá estou.

Bem, parei na minha ida a Machu Picchu. O que esse rolê tem de caro tem de trabalhoso! Mas caram, nem precisa dizer que vale super a pena. Sem dúvida o melhor passeio da viagem. Fim de semana inesquecível! Pra quem pretende ir, compartilho alguns erros e acertos que só fomos perceber por lá. Mas conto quais são mais pra frente.

Chegamos em Machu Picchu! Quer dizer, quase...

Chegamos em Machu Picchu! Quer dizer, quase…

A saga começou às 7h25 da manhã de sábado, quando eu e o Bruno estávamos prontos para pegar o táxi do Señor Jaime até a estação de trem de Poroy, uma espécie de distrito de Cusco. Foram 30 minutos para chegar lá (35 soles). No caminho, vimos do carro uma parte de Cusco mais pobre, fora do circuito turístico. Lá eles têm favela, também! Como em San Blás e na Plaza de Armas temos uma certa sensação de segurança, é fácil nos esquecermos que estamos em um país “em desenvolvimento”, assim como o Brasil.
Na estação de Poroy. Acha que o pessoal à esquerda é de onde?

Na estação de Poroy. Acha que o pessoal à esquerda é de onde?

Rumamos para Águas Calientes, um vilarejo que fica no pé da montanha de Machu Picchu. Esse é o roteiro clássico dos viajantes que preferem visitar as ruínas de forma independente, podendo chegar antes dos grupos de turistas que vêm de Cusco. Os tours saindo de Cusco ficam em Machu Picchu por 5 horas. Dá pra conhecer em 5 horas? Dá pra conhecer em 5 horas, mas você não tem a oportunidade de fazer as trilhas que existem por lá, ou de explorar melhor as ruínas ao seu bel-prazer, ou de ficar deitado na grama por horas só contemplando a beleza daquelas montanhas, ou de fazer as melhores fotos sem ter aquele monte de gente atrapalhando. Pra mim, mesmo não subindo a Huayna Picchu (escalada de 2 horas concorridíssima e que começa bem cedo), valeu a pena ficar em Águas Calientes, sim!
Para nossa ida a Águas, escolhemos o trem Vistadome da Peru Rail. As passagens de trem foram a parte mais cara do passeio! Dá pra comprar com antecedência pela internet, e foi pensando nessa segurança de não perder lugar que optamos pelo trem. Ele é um trem “de luxo”: tem janelas panorâmicas, teto solar e vai descendo devagarinho pelos Andes. No preço do ticket, está incluso um lanchinho bem gostoso, com comidas típicas peruanas. O único porém é que na nossa classe (econômica) o espaço para as pernas era bem curtinho, então a gente ficava batendo no casal da frente. Os mais altos vão sofrer! E também tivemos um contratempo com a locomotiva e ficamos um tempão parados, ou seja, a viagem que deveria durar 4h levou mais de 5h. A sorte é que o casal que estava na nossa frente também era brasileiro – Luiz e Camila, de Manaus. Papo vai, papo vem, acabamos combinando de formar um grupo para o guia turístico do dia seguinte.
Trem Vistadome da Peru Rail. Patrão!

Trem Vistadome da Peru Rail. Patrão!

Com o atraso, chegamos em Águas Calientes verdes de fome. Antes mesmo de fazer o check-in, paramos no primeiro restaurante que vimos pela frente. Quanto arrependimento! Depois de fazer o pedido foi que olhei à volta com mais atenção e percebi que o lugar era bem estranho. Fui ao banheiro e só piorou. Higiene zero, atendimento pior ainda, lugar às moscas. E eu pensando num possível piriri um dia antes de ir para Machu Picchu. Aquilo foi me dando uma aflição! No fim, comemos “com a cara e a coragem” e nada aconteceu, tirando a “taxa local” abusiva de 30% que os caras inventaram. Não existe isso! Depois, no hotel, nos orientaram a pedir “la boleta” caso viesse alguma taxa de serviço abusiva, que eles tiram esse valor. Enfim, roubadas sempre acontecem em viagens. Fica a dica: se forem pra Águas Calientes, não comam nos restaurantes que ficam no começo da Rua Pachacuteq!
Rua Pachacuteq - lá vem o candidato! (vai ter eleição por lá no dia 5 de outubro, também)

Rua Pachacuteq – lá vem o candidato! (vai ter eleição por lá no dia 5 de outubro, também)

Subimos o morro da vó Salvelina a ladeira da rua Pachacuteq até encontrar, quase no final, o nosso hotel – La Cabaña. ADORAMOS o local! Pena que ficamos pouco tempo. Atendimento da recepção excelente, instalações ótimas, wi-fi grátis. Como é bom saber que você vai dormir em lugar confortável, né? Acho que é um investimento que compensa. Não foi dos hotéis mais baratos, mas garantiu tranquilidade. E no check-out, até ganhamos uma corujinha pra dar sorte na viagem – e deu mesmo! Depois eu conto.
Quarto do maravilhoso hotel La Cabaña :)

Quarto do maravilhoso hotel La Cabaña 🙂

 Bem, deixamos nossas coisas por lá e fomos dar uma volta na pequena Águas Calientes. Lá não tem muito o que se ver – tem um Thermas que, conforme a Wanessa já tinha alertado, é cilada, uma pracinha, umas duas ruas principais, o mercado de artesanatos local (não comprem nada, em Cusco é muito mais barato!) e o resto é onde mora (precariamente) a população local, que vive exclusivamente de turismo.
Plaza de Armas em Águas Calientes

Plaza de Armas em Águas Calientes

De qualquer forma, foi interessante passear por lá.O número de turistas que vão a Águas aumentou exponencialmente desde 2007, quando Machu Picchu foi eleita uma das 7 maravilhas do mundo moderno e, por isso, parece que a cidade está em construção: há entulhos, carriolas, tijolos espalhados por todos os lados. Creio que estão investido na infraestrutura para receber os turistas.
Por toda a cidadela, a impressão que se dá é que ela está em construção

Por toda a cidadela, a impressão que se dá é que ela está em construção

 Depois da volta por Águas, passamos no mercado local para comprar suprimentos para o dia seguinte – água, pão, banana e um par de meias que eu tinha esquecido – e fomos jantar, agora num restaurante bem melhor. Fomos para o hotel lá pelas 19h – precisávamos dormir cedo, pois no dia seguinte, iríamos madrugar!
Os mercados locais do Peru são assim: vão de frutas a roupas em questão de centímetros.

Os mercados locais do Peru são assim: vão de frutas a roupas em questão de centímetros.

Programei o despertador para as 4h40, assim como faço tantas vezes para pegar a van da Editora pra São Paulo, mas dessa vez dormi o sono dos justos naquele colchão maravilha do hotel. O grande dia fica pra outro post! =)

Cusco – mais quatro grandes passeios em um só dia (inesquecível)!

Bom minha gente, hoje o dia foi muito mais longo do que ontem, com muuuuuito mais visitas, porém nada de mal-estar! Olha que boa notícia. E eu nem tomei o chá de coca durante o dia 🙂 E se eu ainda estivesse mal estaria ferrada, porque saímos de casa às 8h30 e voltamos às 19h do passeio. Sim, um único passeio! É que dessa vez a gente preferiu fazer os ~rycos~ e contratar um tour privado com o Señor Jaime, aquele que nos buscou no aeroporto. Ficou o dobro do preço de tour, mas valeu super a pena! (de tour sairia 100 soles para nós dois, com o Jaime ficou 200 pelo dia).

Señor Jaime: esse manja!

Señor Jaime: esse manja!

Explicando: nós só teríamos mais dois dias para turistar em Cusco, já que amanhã e depois vamos para Águas Calientes. E, se fôssemos fazer todos os passeios “obrigatórios” por tour, não teríamos tempo de passear livremente por Cusco depois, conhecê-la durante o dia, ir para lugares menos turísticos. Isso porque os tours são mais demorados (por conta das lojinhas), apesar de os visitantes passarem menos tempo nos pontos turísticos – os guias ficam mandando o povo correr o tempo todo e não dá tempo de explorar melhor cada lugar.
Túnel diboas em Pisac

Túnel diboas em Pisac

Começamos indo para Pisac, ruína que fica a cerca de 1h20 de carro de Cusco. Lá vimos pela primeira vez os famosos terraços agrícolas dos incas. Cada tipo de alimento era plantado em uma altura da montanha, conforme a temperatura ideal para o plantio.
Repare na altura. Este é o Valle Sagrado!

Repare na altura. Este é o Valle Sagrado!

Em Pisac também é possível avistar restos do cemitério inca – tumbas escavadas nas montanhas onde os corpos eram mumificados e enterrados com adornos de ouro em posição fetal. A ideia era servir de oferenda aos deuses para que eles voltassem à vida como animais. Pra variar, os espanhóis foram lá e tiraram tudo…
Se você reparar bem, tem uns buraquinhos na parede. Eram as tumbas o.O

Se você reparar bem, tem uns buraquinhos na parede. Eram as tumbas o.O

Lá eu também tive que vencer o meu medo pela primeira de várias vezes hoje. Entre as ruínas, havia uma trilha que era usada antigamente pelos incas e que tinha uma escada íngrime ao lado de um abismo. Quase arreguei, mas depois vi um monte de criançada peruana subindo de boas e pensei: não vai ser dessa vez! Consegui subir e fiquei muito orgulhosa! haha
Challenge: accepted!

Challenge: accepted!

Depois de Pisac, mais uma viagem de cerca de uma hora até a cidade Urubamba, onde almoçamos num restaurante “pra turista” que foi a única experiência ruim do dia. Caríssimo pra um atendimento e comida bem meia boca. Depois do almoço, mais 20 minutos até chegar em Ollantaytambo, ou casa do Sêo Olanta pros íntimos. hehehe
Ollantaytambo, ou A Pirâmide do Sêo Olanta

Ollantaytambo, ou A Pirâmide do Sêo Olanta

 
Lá vivia um antigo guerreiro inca e milionário chamado Ollanta. Ele era muito poderoso e construiu uma moradia nada humilde para morar e plantar seus alimentos. Ninguém sabe como ele morreu, só se sabe que quem matou foi o rei, pai da princesa que fisgou o coração do Seo Olanta. As ruínas do que sobrou de sua moradia são lindas, no formato de pirâmide e possuem uma escadaria desafiadora para os mais sedentários.
Tem escadaria? Tem escadaria. Mas veja bem, se tem um senhorzinho de bengala subindo você também consegue!

Tem escadaria? Tem escadaria. Mas veja bem, se tem um senhorzinho de bengala subindo você também consegue!

Mais uma vez, quase arreguei frente a um caminho ao lado de um abismo, porém, conheci um cara de Ribeirão Preto super gente boa que estava tentando convencer o amigo dele a ir junto e acabei indo também. Definitivamente sou do time dos medrosos! hehe
Selfie no rolê do Sêo Olanta (ou: que céu azul, caray!)

Selfie no rolê do Sêo Olanta (ou: que céu azul, caray!)

Depois de Ollantaytambo, fomos na maior pressa a caminho de Moray. É que a gente se empolgou em Pisac e Ollanta e acabamos nos esquecendo do horário. A sorte é que o Señor Jaime manja dos paranauê e pegou um atalho em estrada de terra que economizou um bom tempo e ainda nos deu de presente uma vista de tirar o fôlego da cadeia de montanhas! Simplesmente incrível. Ao fundo, podíamos ver a montanha Chicón, com 5600m e neve ao topo. Não que a nossa não fosse alta, também – era pra car$#%%o! O vento na foto tá aí pra provar.
El Chicón! <3

El Chicón! ❤

Chegando em Moray, o lugar estava quase fechando, tanto é que nem carimbaram nosso boleto. Eis outro lugar de tirar o fôlego! Lá é a prova viva da sabedoria agrícola dos incas, com os terraços construídos sobre rochas vulcânicas, que regulam muito bem a temperatura – absorvendo o calor durante o dia e dissipando-o durante a noite. Quanto mais fundo o terraço, mais quente o ambiente.
Terraços de Moray - possui formato de um útero para simbolizar fertilidade

Terraços de Moray – possui formato de um útero para simbolizar fertilidade

 Em Moray, eles puderam cultivar alimentos de outras regiões – a técnica era ir testando em qual temperatura aquele alimento se adaptava melhor. Isso lá nos idos do século XV…
Acompanhe o tamanho - é impressionante!

Acompanhe o tamanho – é impressionante!

Tiramos várias fotos e lá fomos nós correndo para Maras. Este é um vilarejo onde só vive quem trabalha nas salineras de Maras. Um lugar muito simpático e organizado, apesar de humilde. O caminho para as salineras é outro show à parte: lá estava ele, o Chicón, sob a luz do sol poente, com os pampas em primeiro plano… incrível! Pena que a pressa era tanta que não deu pra parar e tirar foto.
Foto de casalzin porque né ;)

Foto de casalzin nas Salineras porque né 😉

Mas o importante é que conseguimos entrar nas salineras antes que fechassem! Mais uma vez, ninguém carimbou o boleto e nem cobrou a entrada à parte (seriam 7 soles). Chegamos por volta das 17h00. Lá os andinos extraem o sal de uma água que vem debaixo da montanha, provavelmente vulcânica, já que possui 10 vezes mais sal do que a água do mar. O lugar é bem bonito, mas confesso que estava esperando mais. Não que tenha sido uma decepção, mas acho que tudo o que vimos durante o dia deu uma ofuscada. Sem falar que ofuscou literalmente, já que não tinha tanta luz mais pra fazer belas fotos. hehe
Salineras de Maras - cuidado que escorrega!

Salineras de Maras – cuidado que escorrega!

 Ao fim do dia, voltamos cansados, mas muito felizes e com sentimento de missão cumprida! Agora é hora de dormir, pois amanhã cedinho embarcamos num trem para Águas Calientes. Domingo é dia de conhecer Machu Picchu. PS: não levarei o computador, então sem posts até lá!
Outros posts:

Cusco, a cidade das ruínas!

Gente, nem sei por onde começar. Nesses últimos dois dias foi tanta ruína, tanto nome inca que eu nunca vou conseguir decorar que vai ser complicado lembrar de tudo! Mas vamos em partes.

Ontem (tem bastante foto lá pra baixo!)
No meu segundo dia em Cusco, pude sentir mais o efeito da altura. O Bruno, que teve um pouco de dor de cabeça no dia anterior, acordou superbem. Já eu sofri um pouco de manhã e no fim do dia. É uma coisa meio bizarra: parece que o mínimo esforço que você faz com os músculos já te deixar SUPER cansado. Tipo subir dois lances de escada, que é o necessário pra chegar no nosso quarto da pousada. Depois do café da manhã, até perdi o fôlego um pouco pra voltar ao quarto, acredita??

Por causa disso, na parte da manhã eu só fiquei descansando – aka dormindo. hehehe Enquanto isso, o Bruno foi na praça para ver preços de passeios para fazermos à tarde. A moça do serviço de quarto tomou um susto na hora que ela veio limpar de manhã. Como eu tava super enrolada nas cobertas, ela já entrou tirando lixo e tal e de repente vira alguém e fala “Oi”, cara, ela deu um berro e saiu correndo, coitada. hehehe

Bem, depois que o Bruno chegou, fomos almoçar no McDonalds, pra sermos rápidos, já que nosso passeio saía às 14h. Um número 1 (Big Mac) custa 15,50 soles. Um pouco mais barato que no Brasil. Acabando, já fomos para a agência onde ele tinha reservado o passeio de City Tour por Cusco, que tem duração de uma tarde (das 14h às 18h) e passa pelas principais ruínas de Cusco. Custou 15 soles cada um, mas a parte cara fica no “boleto turístico” – algo obrigatório aqui em Cusco. Você paga 130 soles por pessoa para visitar todos os lugares de Cusco. Teoricamente, já que alguns desses lugares ainda cobram um valor além do boleto. É, neguinho, Peru não é barato não!

Frente do Qoricancha - se você reparar dá pra ver vestígios de cada uma das épocas deste templo em sua construção.

Frente do Qoricancha – se você reparar dá pra ver vestígios de cada uma das épocas deste templo em sua construção.

A primeira parada do tour foi em Qoricancha, o maior templo dentro de Cusco. Em um mesmo lugar, já existiram três templos: um do século XIII, outro do século XV (Império Inca) e, por último, no século XVII (depois da invasão espanhola). Lá tivemos nosso primeiro contato com a arquitetura inca, que é famosa por sua simetria e simplicidade. E descobrimos que os incas foram os inventores do Lego: em suas construções não era usado cimento e mesmo assim não havia espaço entre as pedras – é que elas se encaixavam umas nas outras, igualzinho o Lego mermo.

Janela de um cômodo dedicado ao arco-íris. Simetria dos incas

Janela de um cômodo dedicado ao arco-íris. Simetria dos incas

Pausa pra um “momento história”: quase tudo o que nós vimos por aqui era maravilhoso antes da invasão espanhola. Tudo era mais bonito, tinha ouro, tinha significados, até que os “conquistadores” vieram pra cá, aproveitaram um momento de fragilidade do Império Inca (tava rolando uma disputa entre dois irmãos pelo reino e havia um monte de povoados se rebelando contra os Incas) e resolveram passar por cima de toda a cultura, tradição, história e conhecimento que havia por aqui. E bota conhecimento nisso! Foram técnicas agrícolas, hidráulicas, de engenharia e de arquitetura das mais variadas que se desenvolveram nessa região aparentemente hostil (entre as montanhas). Desde os povos da era pré-colombiana. O império Inca, na verdade, durou pouco tempo – cerca de 100 anos – o que acontece é que os incas foram dominando os pequenos povos que estavam espalhados em uma área de cerca de 2500 milhas. Até que Pizarro chegou com os dois pés no peito…

[fim da digressão]

Entrada do Sacsayhuaman

Entrada do Sacsayhuaman

Depois da nossa passada rápida pelo templo de Qoricancha (tour em grupo é assim mesmo, tudo na pressa! =/), fomos para outro sítio arqueológico, o Sacsayhuaman (a 3500m de altura).

Vista do Sacsayhuaman. Olhem essas montanhas, minha gente! É lindimais!

Vista do Sacsayhuaman. Olhem essas montanhas, minha gente! É lindimais!

Também conhecida como Fortaleza Inca e, como quase todos os sítios arqueológicos daqui, usada como templo. Lá foi o palco do grande massacre entre os Incas e os espanhóis. Triste, né =/// E lá também tem umas pedras gigaaaaantes, de mais de 7 metros de altura. Uma delas também é conhecida como a “pedra de 11 ângulos”.

7,25m de altura e algumas boas toneladas. A pedra, claro!

7,25m de altura e algumas boas toneladas. A pedra, claro!

De lá seguimos para Tambomachay, local onde um dia foi o Templo da Água. Diz que as águas de lá são cheias de bactérias e, portanto, não são potáveis.

A dualidade sempre está presente na cultura inca e está representada nessas duas saídas de água. Mas vai beber um copinho dessa pra você ver...

A dualidade sempre está presente na cultura inca e está representada nessas duas saídas de água. Mas vai beber um copinho dessa pra você ver…

O triste foi fazer uma subidinha aos 3800m de altura (sem falar na friaca!) com o soroche que eu ainda tava sentindo. Mas na saída foi legal, porque experimentei o choclo cozido, que é uma das centenas de tipos de milho que existem aqui no Peru. É um milhão mesmo, ele foi geneticamente modificado pelos incas. 3 soles e ainda ganhei um queijinho. Bom! (lembra do comercial? EL POCHOCLO!!)

Pukapukara - pfvr que fim de tarde mais lindo!! <3

Pukapukara – pfvr que fim de tarde mais lindo!! ❤

Na volta, duas paradas rápidas: Pukapukara (mais ruínas de um antigo templo) e Q’enqo, esse mais zica. Já era de noite e a guia começou a contar umas histórias escabrosas de sacrifícios de mulheres, mumificação… Diz que acontecia tudo lá nesse tal de Q’enqo. Daí lá dentro tem uma caverna (tudo formação natural!) com uma “mesa cerimonial” dentro – era o local onde aconteciam as mumificações. O detalhe é que a pedra dessa mesa é super mais gelada que a do teto. Boo!

Nem vem que não tem...

Nem vem que não tem…

Como todo tour que se preze, acabamos numa lojinha – com a desculpa que aprenderíamos a diferença entre a lã de alpaca verdadeira da falsa. O velhinho explicou em 5 minutos e depois teve um acontecimento emocionante: uma jovenzinha que estava na loja desmaiou! Coitada, caiu dura e bateu a cabeça numa parede. Rolou a maior gritaria lá dentro. E eu sem saber o que estava acontecendo, achei que era uma brincadeira, sei lá. Depois vi gente com cara de desespero e gritando o nome dela: “SELENE! SELENE!”. Mas ela ficou bem, no final! Será que foi mal de altura?

blablablabla comprem comprem

blablablabla comprem comprem

Bom, findado nosso passeio, fomos jantar num restaurante muito bom que foi indicado pela moça da pousada, o Pacha Papa, com comida típica peruana. Experimentei o famoso ceviche, o tacu tacu e pisco sour, mas vou contar das comidinhas em um post só no final. 🙂 Mas pra resumir: no fim do dia, eu estava MUERTA MUERTITA! Bateu o soroche, sei lá. Só sei que eu mal conseguia ficar de olho aberto no restaurante. O Bruno disse que era pra eu disfarçar que estava com cara de choro. hehehe

Comi tudo & minha colaboração para a campanha #stopthebeautymadness

Comi tudo & minha colaboração para a campanha #stopthebeautymadness

Por isso nem dei as caras por aqui. Falando em olho fechado, aqui o ar está muuuuuuuito seco! Até mais do que estava no Brasil. E aí, já choveu?

Sobre hoje, vou colocar num outro post. Só posso adiantar que o soroche passou e o dia foi muito especial! =D

Peru – o que dizer desse país que mal conheço e já considero pakas?

Leia ouvindo:

Preciso começar o post dizendo que, como havia previsto ontem, nada de dormir no hotel de SP. Não tem jeito: toda vez que tenho alguma viagem mais complexa pela frente, a ansiedade bate e ainda não há pranayama que consiga me fazer descansar a cabeça no travesseiro. Diferente do Bruno, que, assim que acabou o jogo, ainda fez uns trabalhos de um curso on-line e conseguiu puxar um ronco durante aquelas horinhas hahaha Inveja dessa santa paz.

Em Guarulhos, tudo certo. Chegamos pouco antes das 4h, fizemos nosso check-in e fomos pra sala de embarque. Ainda bem que entre uma coisa e outra tem o Free Shop, que me livrou do tédio da espera. Não comprei nada, mas fiquei experimentando uns perfuminhos, inclusive acabei esborrifando errado o Flower by Kenzo na minha mão e fiquei o dia inteiro com um cheirão de leite de rosas. hahaha O Bruno comprou uns chocolatinhos, como sempre. Desde que o conheço é assim: sempre anda por aí com uma barra de chocolate na mochila.

Já que estamos falando do Bruno, aqui uma foto do bonitão no restaurante Don Marcelo! =) Isso já em Cusco.

Já que estamos falando do Bruno, aqui uma foto do bonitão no restaurante Don Marcelo! =) Isso já em Cusco.

O voo, GRAÇAS A DEUS, foi tranquilo. Nada de turbulência! Ufa! E ainda consegui tirar uns cochilos no ombro do Bruno. Aliás, gostei bastante do serviço da Avianca. Café da manhã gostoso… avião bom, com muitas opções de entretenimento. Tinha até A Culpa é das Estrelas pra assistir, mas escolhi colocar a playlist “Suave” pra dormir e deu certo! haha Aliás, foi nela que descobri a música do post. 😉 Destaque para o fone da Avianca, que é confortável de dormir em cima!

Sobrevoando a cordilheira dos Andes. Não se engane - o avião estava muito alto!

Sobrevoando a cordilheira dos Andes. Não se engane – o avião estava muito alto!

O voo durou 4h20, sendo que a última terça parte foi toda sobrevoando os Andes. É maravilhoso! Vimos vários picos entre as nuvens, vales com laguinhos, rios cortando as montanhas… é muito lindo! Desembarcamos em Lima às 9h, horário local (aqui são duas horas mais cedo), mas tínhamos que correr pra pegar bagagem, passar na imigração e fazer check-in de novo para o próximo voo que era às 11h. Na imigração foi tudo tranquilo. Nada como ouvir: “Bienvenidos a Peru!”. Tivemos uma correria com o cartão de embarque do Bruno, que não deu leitura, daí ele teve que correr fazer outro, mas a maior chateação foi na hora de sacar dinheiro: antes da viagem, optamos por sacar a maior parte em Soles (moeda local) por aqui ao invés de comprar dólar e fazer o câmbio, mas nenhum caixa do aeroporto “teve resposta” do meu banco. Nem no meu cartão, nem no do Bruno. Ou seja, mais gasto à vista! =/

Enfim, o voo atrasou um pouco e saiu às 11h35, mas durou muito menos tempo, só 1h15. Mas o mais emocionante foi o pouso em Cusco. O piloto disse que iria começar a descida. Ok. Passamos pra baixo das nuvens. Fomos perdendo altitude. E só montanha lá embaixo. Eu pensava: “mas gente cadê a cidade? cadê aeroporto?”. De repente esse avião me faz uma curva (praticamente já com o trem de pouso abaixado) e aí sim a cidade aparece. E ele tem que descer muito rápido. Praticamente dá um cavalo de pau na pista de pouso hahaha. (ok, exagerei). E na descida, um detalhe interessante: o último aviso do piloto é dado em três línguas: inglês, espanhol e quíchua, o dialeto local (coisa mais linda de se ouvir!).

O aeroporto de Cusco é pequeno e cheio de gente oferecendo passeio, táxi, etc… A sorte é que já tínhamos combinado o transfer com o hotel, por 20 soles. O Jaime foi nos buscar e aproveitei pra perguntar um pouco sobre a cidade. Ele me disse que o quíchua é, na verdade, a primeira língua em Cusco, e que o espanhol é ensinado depois, na escola. Inclusive, pra ser médico e professor por aqui é obrigatório falar quíchua. Nunca imaginaria isso! A língua me parece muito bonita, com uns sons totalmente diferentes, que saem da laringe. Gostei! Porém, ele disse que hoje ela é uma língua muito mais oral, pois as pessoas sabem falar mas nem todas sabem escrevê-la direito.

Mate de coca na Casona Les Pleiades! Uma delícia e ainda faz bem! Ajuda com os efeitos da altura pois melhora a absorção do oxigênio.

Mate de coca na Casona Les Pleiades! Uma delícia e ainda faz bem! Ajuda com os efeitos da altura pois melhora a absorção do oxigênio.

Quando chegamos na pousada Casona Les Pleiades, já extremamente cansados e começando a sentir os efeitos da altura, não poderíamos ter uma surpresa melhor. Aqui é uma gracinha de lugar. Quieto, acolhedor, rústico e cool ao mesmo tempo, com uma vista linda das montanhas, cama fofa e chuveiro quentinho. A pousada fica em San Blás, o bairro mais artístico e boêmio da cidade e que fica do lado da Plaza de Las Armas. Fomos recebidos com mate de coca (chá de folhas de coca), que ajuda com o efeito da altura e é uma delícia! Para os mais “xóvens”, aqui em Cusco também tem um outro tipo famoso de pousada – os chamados “party hostels”, que também são muito elogiados e procurados pra galera interessada em fazer amizades, ter companhia para uns bons drinks… acho que vale também, mas achei essa aqui mais a minha cara! 🙂 (indicação top da minha amiga Elis!)

Quarto da pousada Casona Les Pleiades. Muito aconchegante!

Quarto da pousada Casona Les Pleiades. Muito aconchegante!

Tiramos a tarde para descansar, e não poderia ser de outro jeito. Do nada o tempo fechou, começou a trovejar e parecia que viria uma tempestade. E o primeiro dia aqui dá mesmo uma baqueada na gente. Eu mesma não tinha sentido tanto os efeitos da altura, mas o Bruno sentiu dor de cabeça durante a tarde. Agora à noite é que eu senti os efeitos pela primeira vez. Fomos andando até a Plaza de Las Armas (coisa de 7 minutos descendo) e, quando cheguei no restaurante, estava com a cabeça estourando. O melhor a se fazer é ficar quietinho, tomar chá de coca e as pílulas de soroche, que já compramos aqui pra conseguir ter um dia mais produtivo amanhã.

Vista do quarto na Casona Les Pleiades - montanha por todos os lados em Cusco!

Vista do quarto na Casona Les Pleiades – montanha por todos os lados em Cusco!

Mas todo o cansaço e soroche já compensaram nessa saída de noite. A cidade é realmente uma graça, cheia de ruelas antigas com tudo feito de pedra. A paisagem montanhosa está por todos os lados. Os peruanos são lindos, educados, simpáticos. E de bobos eles não têm nada – eles mandam aquelas criancinhas mais fofas pra vender lembrancinha pra gente. Dá vontade de comprar a criança, isso sim! rs.

Primeira pose de turista aqui no Peru - nas ruelas de San Blás!

Primeira pose de turista aqui no Peru – nas ruelas de San Blás!

Ah! Essa saída à noite ainda rendeu outra surpresa boa: aqui na cidade meu cartão está funcionando! Ou seja, um perrengue a menos. Não vejo a hora de começar a conhecer aqui durante o dia. Veremos o que o amanhã nos reserva! 🙂

Saindo em viagem

Gente, resolvi tentar transpor meu diário de viagem manuscrito pro blog esse ano. Acontece que eu não consigo mais escrever tanto à mão e acabo ficando com preguiça lá no fim da viagem. A ideia nem é fazer uma cobertura bloguística / jornalística da nossa viagem ao Peru (neste momento), só quero registrar alguns detalhes porque eu tenho memória zero e sei que vou acabar esquecendo se não colocar em palavras. Aos amigos que quiserem acompanhar, voltem sempre!

Pra quem mora no interior, a viagem sempre começa um dia antes de todo mundo – o dia de ir até a “capitar” para embarcar em Guarulhos é, geralmente, o primeiro passo de qualquer empreitada rumo ao exterior. Principalmente quando você vai por conta e acaba comprando as passagens mais baratas que são, geralmente, em horários não muito práticos pra quem vem de fora. Nosso voo sai amanhã às 6h rumo a Cusco com conexão em Lima, ou seja, temos que sair do hotel em que estamos por volta das 3h da madrugada. Optamos por um hotel (mesmo sem dormir de verdade) porque tínhamos essa cortesia de uma viagem pra cá que não deu muito certo no primeiro semestre – entendedores entenderão!

Vista da Avenida São Luís, no centro de São Paulo. De cima é bonito...

Vista da Avenida São Luís, no centro de São Paulo. De cima é bonito…

Agora vou gerar polêmica, mas preciso falar: existe essa chatice do deslocamento de tempos em tempos, mas não troco meu interior pela capital por nada nesse mundo. Como dessa vez não vim pra cidade a trabalho, pude “observar” de fato a cidade, os paulistanos atravessando a rua com olhar cansado, essa coisa cinza, pichada, suja, esse rio poluído, essa miséria, esse tanto de gente morando em praça, passando fome, sem tento, sem banho, falando sozinho… é inevitável pensar: quanta desgraça pra essa que é a cidade mais rica do país, o grande centro econômico, a locomotiva do Brasil… a conta não bate, certo? Enfim, observar tudo isso me deu uma certa melancolia nesse início de viagem. rs Vi num blog que Lima é bem parecida com São Paulo. Acho que vai ser legal poder comparar as duas cidades.

Bem, depois de alguns rolos com o check-in, nos instalamos, mas não deu tempo de fazer muita coisa por aqui. Queria muito ter dado uma passada na Bienal do Ibirapuera, mas estamos no Centro, lá não tem metrô perto e eu sou uma perdida nessa cidade. Até eu entender como chegar lá, fiz as contas e daria tempo de ficar uma meia hora na exposição. Ou seja, nada feito! =/ Pelo menos pudemos almoçar com calma no California. Comi um hambúrguer de frango (o prato chama “Fame”, recomendo!), certamente a melhor parte do meu dia!

Hamburguer do California - esse é o "Fame", de frango com "batatas rústicas". Muito bom!

Hamburguer do California – esse é o “Fame”, de frango com “batatas rústicas”. Muito bom!

Agora vamos tentar descansar no hotel até às 3h. Se der sorte, consigo tirar um cochilo. Mas o sertanejo tá rolando solto aqui na vizinhança e eu tenho sono leve. Sinal de que preciso aprimorar meu espírito de viajante! hehe

Agora só darei notícias no Peru. Hasta luego!

Querida eu-com-16-anos

Daqui a 10 anos... cara, outra pessoa.

Daqui a 10 anos… cara, outra pessoa.

– Daqui a 10 anos você vai perceber que o fim da adolescência não é o fim das decisões erradas que a gente toma na vida;

– Aliás, a adolescência não acaba aos 18 anos;

– As pessoas com aparência mais intimidante, estranha ou assustadora são, geralmente, as mais doces e interessantes;

– Aquela história de que quanto mais velho, mais bem-resolvido você é, é quase sempre verdade. Cada experiência que você tiver a partir de agora vai moldar a pessoa que você será daqui a 10 anos. São tijolinhos que só aperfeiçoam a “casa” de sua alma;

– A timidez realmente diminui com o tempo;

– Algumas pessoas que você ama vão ficar inevitavelmente mais distantes, mas não menos importantes;

– Algumas pessoas que você ainda nem conhece ficarão muito próximas de você, mas você poderá se esquecer do nome delas em pouco tempo. Só aí você descobrirá a verdadeira amizade;

– O universo realmente está em expansão e a tendência natural é que as pessoas se afastem. Você vai precisar correr atrás delas;

– Você terá bem, BEEEEM menos tempo para fazer o item anterior. Então, se esforce!

– Aproveite muito a sua família. Você vai ficar sem esse contato próximo por um bom tempo;

– Os anos vão passar e seus pais vão continuar te enxergando como uma criança, mas você vai ter uma visão muito diferente deles a cada ano;

– Não se preocupe com o peso. Aquilo que sua mãe diz sobre a gostosa de hoje ser a gorda de amanhã é a mais pura verdade;

– Continue sendo um pouco nerd. Isso te dará uma grande vantagem num futuro próximo;

– Nenhuma crença que você tem hoje é definitiva – qualquer tipo de crença. Mudarão drasticamente: sua visão sobre Deus, sobre casamento antes dos 30 e sobre a Beyoncé;

– Aproveite enquanto você sente orgulho de ser a mais nova da turma;

– Daqui a um tempo, você vai perceber que o mais improvável dos sonhos pode se tornar verdade em menos tempo do que você imagina. Você nunca sabe o que a economia ou o destino podem lhe proporcionar;

– Com a maturidade, você vai perceber que seu romantismo é, na verdade, um pouco acima da média;

– Daqui a não muito tempo, seus pais terão uma mudança profunda no papel que exercem na sua vida;

– Embora você se ache uma “adolescente cabeça”, você é mais uma aborrescente que reclama demais de coisas pequenas;

– Não importa o que aconteça, seja otimista. É sempre o melhor caminho.

(Post inspirado no meu último dia aos 26 e neste vídeo)